Nos porões dos navios de comércio, que vinham do Oriente, entre os anos de 1346 e 1352, chegavam milhares de ratos. Esses roedores encontraram nas cidades europeias um ambiente favorável, pois estas possuíam condições precárias de higiene. O esgoto corria a céu aberto, e o lixo acumulava-se nas ruas. Esses ratos estavam contaminados com a bactéria Pasteurella Pestis. Os ratos também morriam da doença, e, quando isto acontecia, as pulgas, através da picada, passavam rapidamente para os humanos para obterem seu alimento, o sangue.
Doente, a pessoa começava a apresentar vários sintomas: primeiro apareciam, nas axilas, virilhas e pescoço, vários bubos (bolhas) de pus e sangue. Em seguida, vinham os vômitos e a febre alta, em questão de dias os doentes morriam. Vale lembrar que, para piorar a situação, a Igreja Católica opunha-se ao desenvolvimento científico e farmacológico. Os poucos que tentavam desenvolver remédios eram perseguidos e condenados à morte, acusados de bruxaria. Os mais pobres eram enterrados em valas comuns, apenas enrolados em panos. “As pessoas se interrogavam: De onde vinha o mal? É a cólera de Deus?” (DUBY, Georges. 1988, p. 110).
O preconceito com a doença era tão grande que os doentes eram, muitas vezes, abandonados, pela própria família, nas fl orestas ou em locais afastados. A doença foi sendo controlada no fi nal do século XIV, com a adoção de medidas higiênicas nas cidades medievais.
(Disponível em:http://www.suapesquisa.com/idademedia/peste_negra.htm acesso: 10/04/2010).
Questão 2 – Enem 2008
A Peste Negra dizimou boa parte da população europeia, com efeitos sobre o crescimento das cidades. O conhecimento médico da época não foi sufi ciente para conter a epidemia. Na cidade de Siena, Agnolo di Tura escreveu: “As pessoas morriam às centenas, de dia e de noite, e todas eram jogadas em fossas cobertas com terra e, assim que essas fossas fi cavam cheias, cavavam-se mais. E eu enterrei meus cinco filhos com minhas próprias mãos (...) E morreram tantos que todos achavam que era o fi m do mundo.” (Agnolo di Tura. The Plague in Siena: An Italian Chronicle.In: William M. Bowsky. The Black Death: a turning point in history? New York: HRW, 1971 (com adaptações).
O testemunho de Agnolo di Tura, um sobrevivente da Peste Negra, que assolou a Europa durante parte do século XIV, sugere que:
a) o fl agelo da Peste Negra foi associado ao fi m dos tempos.
b) a Igreja buscou conter o medo da morte, disseminando o saber médico.
c) a impressão causada pelo número de mortos não foi tão forte, porque as vítimas eram poucas e identifi cáveis.
d) houve substancial queda demográfica na Europa no período anterior à Peste.
e) o drama vivido pelos sobreviventes era causado pelofato de os cadáveres não serem enterrados.
Solução comentada: O aluno deverá ser capaz de entender que a Peste Negra aconteceu em vários momentos, na Europa. Os médicos que buscavam a cura das vítimas à base de vitaminas não permitiam a sangria dos doentes. Além disso, aconselhavam as famílias a queimarem seus entes queridos, a fim de evitar a disseminação da doença, passando assim a sofrerem perseguição da Igreja. A peste atingiu indiscriminadamente todas as classes sociais. A memória de Agnolo di Tura revela que o medo da morte era corrente. Assim, para a mentalidade da época, seria o
fi nal dos tempos.
Resposta: A
Fonte: Fascículo 01 do Curso O POVO no ENEM – Universidade Aberta do Nordeste.
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